A notícia recente da Uber sobre as atualizações nas exigências para suas categorias Black e Comfort a partir de 2026 gerou um burburinho no ecossistema da mobilidade. No entanto, o que realmente surpreende e, ouso dizer, preocupa, é a aparente exclusão de veículos 100% elétricos dessas categorias premium. Em um mundo que clama por descarbonização e avança a passos largos na eletrificação, essa medida parece um contrassenso.
Como podemos falar em mobilidade futurista e sustentável enquanto relegamos os veículos que a personificam a um segundo plano? O silêncio absoluto de um powertrain elétrico, a entrega instantânea de torque controlada por software preciso, a ausência de vibrações, e a integração nativa com sistemas de conectividade avançada e futuras capacidades autônomas – tudo isso já define uma experiência premium superior. O conforto proporcionado por um veículo elétrico, com seu centro de gravidade baixo devido às baterias e a suavidade da aceleração, é inegável e intrinsecamente mais moderno.
Acredito que a visão tradicional de 'premium' ainda esteja fortemente atrelada a métricas do passado, como o tamanho do motor ou o tipo de combustível. Mas o futuro é outro. Baterias de última geração, com densidade energética cada vez maior e arquiteturas de carregamento ultrarrápido de 800V, estão redefinindo a praticidade. O software de gerenciamento de bateria e os algoritmos de otimização de rota garantem não apenas eficiência, mas também uma experiência de uso sem precedentes. Além disso, a capacidade de atualizações over-the-air (OTA) mantém o veículo sempre atualizado, adicionando funcionalidades e aprimorando a segurança e o desempenho ao longo do tempo – algo impensável na mecânica convencional.
Se queremos construir um futuro onde a mobilidade seja verdadeiramente inteligente e sustentável, precisamos redefinir o que é 'premium'. Não é apenas sobre o ano do modelo, mas sobre a tecnologia embarcada, a pegada de carbono, a experiência do usuário e a capacidade de integração em ecossistemas urbanos inteligentes. Um veículo elétrico é, por natureza, um hub de tecnologia: ele é um computador sobre rodas, com sistemas autônomos em desenvolvimento, conectividade e a capacidade de ser parte de uma rede energética inteligente. Excluí-lo de categorias que se propõem a oferecer o melhor é ignorar a evolução tecnológica.

